sábado, 21 de novembro de 2015

This is really THE END



No próximo dia 27 de Novembro este blog completa 8 anos de existência.
No entanto, lamentavelmente, não vai chegar a essa data porque decidi encerrá-lo de vez.
Explico porquê.

Criei o blog 'O Homem Que Sabia Demasiado' no já longínquo ano de 2007, uma altura em que a blogosfera florescia por todos os lados. Eram poucos os blogs dedicados exclusivamente à causa da cultura e das artes. Este meu blog nunca foi exclusivamente dedicado ao cinema, ainda que tenha sido nomeado duas vezes para prémios de blogs de cinema. Sempre foi um espaço multidisciplinar no qual abordava assuntos que me interessavam: música, cinema, literatura, fotografia, arte em geral (basta ver as etiquetas). Nunca segui sem modas ou tendências da blogosfera. Orgulho-me da coerência de conteúdos que este blog manteve ao longo de quase 10 anos. Os primeiros três anos de actividade foram de intensa publicação, com uma média louca de 90/100 publicações por mês. Os últimos meses tenho publicado uma média de... 15. Ao longo destes anos todos publiquei 4378 publicações, tive milhares de comentários a posts e mais de um milhão e meio de visitas a páginas. Uma grande percentagem de leitores eram brasileiros. 

O balanço geral é positivo: partilhei muita informação e conhecimento, à custa do blog conheci pessoas interessantes, recebi imensos comentários positivos sobre a qualidade do blog, sobre o prazer da divulgação cultural, convidaram-se a escrever noutros espaços virtuais. Até tive um rapaz de 18 anos do Brasil que uma vez me disse que eu era uma espécie de "professor" dele, com tanta coisa que aprendia neste blog. Fazendo uma pesquisa, reparei que no mesmo dia em que assinalei 4 anos de existência, referi que já acusava algum cansaço e ponderava terminar com o blog. No entanto, prossegui mais 4 anos motivado com o feedback positivo generalizado que ia tendo. Há um ano voltei a manifestar cansaço. Aguentei mais um ano... 

Mas convenhamos: eu sei fazer autocrítica e tenho a plena convicção que este blog já não mantinha a mesma qualidade e interesse de há uns anos atrás. No último ano, tenho a noção, tem-se arrastado, muitas vezes, com posts pouco interessantes, repetitivos, só para dizer que estava "activo". E isso significa manter vivo um espaço de forma artificial. Sinto que canalizei toda a minha inspiração e trabalho nos primeiros anos, porque manter vivo e interessante um blog com esta tipologia exige muita persistência, disponibilidade, dedicação, pesquisa permanente. E nos últimos tempos tenho sentido um maior vazio nesse aspecto. A minha própria vida pessoal e profissional tem-me roubado tempo para me dedicar tanto à vida quotidiana do blog.

E depois há a fria estatística: após o boom da blogosfera, o meu blog sofreu um decréscimo de visitas, muito menos comentários de leitores, muito menos partilhas. Ou seja, os meus leitores tornaram-se meramente residuais e ocasionais. Eu percebo isso no contexto de - como já li - "morte da blogosfera" face ao advento massivo de outros meios de informação/comunicação/redes sociais. Se tenho pena de fechar 'O Homem Que Sabia Demasiado'? Sim, tenho. Vou ficar com muito boas memórias. Eu próprio aprendi muita coisa a construir este blog. Mas como tudo na vida, para cada "começo" há um "fim". E chegou o momento do fim deste blog, um fim que eu considero ser provocado por "morte natural". E por estas razões decidi terminar a actividade do blog, evitando que se arraste penosamente qual vegetal virtual.

Uma palavra final para os meus leitores, sobretudo aqueles mais fiéis que me seguiram durante anos e anos: muito obrigado. Foram vocês que mantiveram vivo este espaço de partilha e de comunicação. Não vou ficar totalmente inactivo, uma vez que vou mantendo o espírito do blog na página homónima do Facebook (mas não será a mesma coisa).

Não vou cometer o disparate de eliminar o blog. Seria deitar 8 anos de trabalho para o lixo. Ele ficará online enquanto arquivo vivo. Os cibernautas vão continuar a conhecer este espaço fruto do resultado de pesquisas (o Google reencaminha muitas pesquisas para este blog). Não dediquei milhares de horas em vão, e por isso o resultado deste meu trabalho vai continuar online para quem quiser recolher informação sobre tantos temas e matérias que partilhei neste espaço. Agora toda a informação deste blog fica para a posteridade e é vossa, façam dela o que quiserem (e acreditem que me vai custar clicar, pela última vez, no botão deste post "publicar").

Viva o cinema!
Viva a música!
Viva a arte!
Viva a cultura!

OBRIGADO 
ATÉ SEMPRE!






segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As melhores comédias de sempre

E os 100 melhores filmes com os argumentos de comédia são... Bom, adianto apenas que no primeiro lugar está "Annie Hall" (1977) de Woody Allen. Nos restantes nove lugares até chegar ao top ten, há bons filmes de comédia mas também há outros de valor discutível. 
Abri aqui o link.

domingo, 15 de novembro de 2015

Takovsky explicado plano a plano

Para quem quer conhecer melhor toda a estética de Andrei Tarkovksy, e especialmente, o seu filme "Solaris", eis um belo vídeo-ensaio que explica os pormenores do trabalho visual e de realização do cineasta russo:
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A visão da Europa de Béla Tarr

A visão em apenas 5 minutos do realizador húngaro Béla Tarr sobre a Europa:

Steve McQueen e o poker



A Mesa do Diabo. Eric Kid Stoner, "The Cincinnati Kid"

Hoje vamos falar de apostas, vamos ver o que o poker pode fazer na vida das pessoas, mas não é somente no poker que se aposta, veja que por exemplo o futebol é o prato principal de praticamente todas as casas de apostas, especialmente aquelas que têm como base a Grã-Bretanha, onde as regras da modalidade foram criadas. Temos também as empresas voltadas ao público brasileiro que fala sobre tipos de apostas em futebol detalhadas. Leia aqui mais sobre o tema. Já nos Estados Unidos temos outras regras e normas relativas às apostas em jogos, ali o elemento legal/ilegal do ato de apostar sempre fez os norte americanos se interessarem e muito sobre esse tópico, e com isso eles sempre tiveram a vontade e também a possibilidade de realizar e transformar as apostas e suas consequências em filme! A partir de agora vamos conhecer mais a fundo um sucesso que você não pode deixar de ver! 

O filme A mão do Diabo com o nome em inglês “The Cincinnati Kid” é um filme do ano de 1965 e conta com o nome da estrela que fazia os corações baterem mais forte, o maior astro norte americano visto entre os anos de 1960 e 1970, estamos falando de Steve McQueen, ele era o ícone masculino para os homens – por ser durão e o sonho de homem para as mulheres – que suspiravam por ele. Na história desta longa metragem vemos que McQueen será aquele que vai viver um jovem jogador de sucesso do Poker, que acreditava ser inclusive o melhor e maior jogador do mundo. Ele vive o personagem que dá o nome ao título do filme “Kid” este é o apelido do prodígio Eric Stoner, que obviamente era muito charmoso e cheio de confiança a ponto de ser arrogante (coisa que os jovens de talento muitas vezes têm). 

O jovem Eric deve se preparar para desafiar o maior jogador de poker dos últimos tempos, o imbatível Lancey Howard (papel interpretado pela excelente ator Edward G. Robinson) Lancey vai representar o ídolo, aquele jogador sem emoções e impecável, que é respeitado por todos. A presença feminina tem um papel muito marcante no filme, terá como representantes a linda namorada de Christian, a atriz sex simbol daquele tempo – Tuesday Weld, e a afirmada atriz Ann Margret, que fez muito sucesso com o filme “Femme Fatale” que tentará de todos os modos seduzir o nosso protagonista. No desenrolar desta história vivida em Nova Orleans, durante o período da depressão econômica nos Estados Unidos, vamos ver muitas traições, seduções e jogos, veremos situações desafiadoras e inteligentes, talvez pode-se dizer que o ícone do malandro apostador padrão aparece neste filme. 

Um dos pontos altos de ver esse filme é a sensação de estar sentado na mesa de poker, apostando em primeira pessoa com o oponente, desta forma falta ao espectador somente sentir o cheiro da fumaça do cigarro dos outros jogadores. Pois a percepção de ser um deles é muito real. Este filme conta com a direção de Norman Jewison. Se você ficou curioso , vale a pena conferir neste link o trailer do filme A Mesa do Diabo.

Paula Silva

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Capas num contexto imaginário

A Aptitude, empresa de web design, imaginou o contexto envolvente de célebres capas de disco. E o resultado deste exercício de imaginação foi este:




Filmes de terror: primeiras e últimas imagens

A dialética entre os primeiros e últimos planos de filmes de terror:

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Canções eternas como esta

Há músicas que parecem eternas, como se o tempo não passasse por elas. Assim acontece com muitas das canções dos magníficos Cocteau Twins. Apesar de ter data de 1982, "Shallow Then Halo" mantém a frescura e a originalidade como se tivesse sido escrita ontem. E depois há a voz sedutora, aveludada e bela de Liz Frazer. 
Já agora, ouçam esta portentosa canção com uma performance vocal invulgar.
 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Por trás de "The Shining"

Em 1966 o cineasta Stanley Kubrick disse a um amigo que um dia iria fazer o "filme mais assustador de sempre". Em 1980 realizou "The Shining" e consegui-o.
O realizador de mini-documentários Gary Leva realizou um documentário de 30 minutos sobre a concepção do filme de Kubrick. Entrevistas a actores, técnicos e críticos, imagens de bastidores, comentários e análises compõem este curto mas fascinante filme que ajuda a compreender o imenso estatuto de culto que ganhou "The Shining".

Abrir o link aqui.

sábado, 31 de outubro de 2015

Viver de trás para a frente



A brincar a brincar, não me importaria:

"Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilá!" - desapareço num orgasmo!" 

Woody Allen

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O primeiro filme sonoro... de sempre

Não se trata de um filme no sentido literal, até porque tem apenas 17 segundos de duração. Mas é um registo audiovisual absolutamente histórico: trata-se da primeiríssima captação em filme conhecida de som no cinema, muitos anos antes do clássico "The Jazz Singer" (1927). Corria o longínquo ano de 1894, um anos antes ainda do aparecimento do popular cinematógrafo dos irmãos Lumière.

Este curto registo de cinema gravado por uma rudimentar câmara foi realizado no estúdio de Thomas Edison (um dos cientistas responsáveis pelo desenvolvimento do cinema) e capta o realizador William K. Dickson a tocar violino durante escassos 17 segundos, o suficiente para fazer História.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Remédios musicais para a alma

"Musicoterapia de A a Z" de Pietro Leveratto

Cada um de nós, em certos momentos, precisou de música. Quando o fluir das notas atinge a nossa atenção damo-nos conta de que a música, como uma banda sonora que acompanha cada gesto quotidiano, é necessária. Protagonistas das páginas deste volume são, pois, os sons mais adequados para emoldurar os acontecimentos da vida, eventos e sensações, a beleza e o sofrimento, o desejo e a sua ausência. O leitor poderá reencontrar as melodias que o acompanharam em ocasiões memoráveis ou para esquecer, deparar-se com histórias bizarras, divertidas e autênticas. Ou ir ainda, mais simplesmente, à procura do tema certo para a ocasião certa. 


Quer se trate do pavor de voar, de dependência do trabalho ou da agorafobia, de uma dieta ou de um ataque de tosse ou de vontade de desaparecer, as receitas de Musicoterapia oferecem remédios e conselhos através de sugestões musicais ou graças à experiência de um músico, indo do rock à experimentação contemporânea, da Viena de Mozart à ilha de Tonga, de Schubert a Bob Dylan, da Bossa Nova de Jobim aos Beatles, de Bach a Coltrane. É uma pequena enciclopédia, um repertório, um manual para ficar melhor. Ao som da música. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Maureen O'Hara

Maureen O'Hara, diva com cabelo cor de fogo do cinema clássico morreu aos 95 anos. A primeira vez que a vi foi no belo filme "How Green Was My Valley" (1947) de John Ford. Por causa dela (ok, não só por causa dela) este filme tornou-se no meu Ford favorito. Considerava-a uma das mais talentosas e belas actrizes da época de ouro de Hollywood.

sábado, 24 de outubro de 2015

A sociedade segundo Guy Debord

Guy Debord, nascido em 1931, em Paris, suicidou-se em 1994, nas montanhas de Auvergne. Foi filósofo, cineasta e crítico cultural. Co-fundador, em 1957, da Internacional Situacionista, foi seu co-dissolvente em 1972.

Publicado em 1967, o livro "A Sociedade do Espectáculo" é a obra filosófica e política mais famosa de Guy Debord e uma análise impiedosa e arrasadora da invasão de todos os aspectos do quotidiano pelo capitalismo moderno. Uma crítica feroz à sociedade do consumo e do predomínio da imagem. Este livro esteve na base do movimento estudantil do Maio de 68 em Paris. O espectáculo, segundo o autor, é "uma droga para escravos" que empobrece a verdadeira qualidade da vida, é apontado como uma imagem invertida da sociedade desejável, na qual as relações entre as mercadorias suplantaram os laços que unem as pessoas, conferindo-se a primazia à identificação passiva, em detrimento da genuína actividade. Uma teoria que está mais actual do que nunca.

Debord fez um filme em 1973 que mais não é do que a versão audiovisual do livro que o celebrizou, no qual expõe os seus conceitos sobre a ditadura do consumo, da imagem e do espectáculo na sociedade moderna:
 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O rock enérgico das Savages

O grupo feminino de rock Savages vai lançar um novo álbum no início de 2016 ("Adore Life"). Para aguçar o apetite, acabam de editar o primeiro single: "The Answer" é um espantoso tema de pura e enérgica efervescência rock, provando que as Savages são das melhores propostas de rock dos últimos anos. Tal como os fãs do videoclip (filmado em Lisboa), ao ouvir esta música só apetece saltar em movimentos descontrolados do corpo.
 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O universo perturbador de Ballard

Aqui está uma edição que nenhum admirador do universo literário de J.G. Ballard pode perder: pela primeira vez no mercado nacional é editado "High Rise", em português "Arranha-Céus", escrito em 1975.

O livro decorre no espaço fechado de um arranha-céus onde moram duas mil pessoas, condomínio fechado de onde ninguém precisa de sair para o exterior. Criado o ambiente claustrofóbico e pós-histórico típico do universo ballardiano, este prédio é um simulacro da vida social moderna onde tudo parece correr bem até começarem a surgir os primeiros indícios de crime e violência que vão transformar o arranha-céus numa paisagem primitiva, onde o humano dá lugar a um bestiário de predadores: primeiro atacam-se os automóveis na garagem, depois os moradores. Um incidente conduz a outro e, acossados, os vizinhos agrupam-se por pisos possuídos por instintos animalescos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. É então que o personagem Richard Wilder, realizador de documentários, resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por uma inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos.

Entre a alucinação e a anarquia, a visão violenta e pessimista de J.G. Ballard oferece-nos um retrato demencial de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade.

O romance foi adaptado ao cinema e deve chegar às salas ainda este ano, com a assinatura de Ben Wheatley (tem nos principais papéis os actores Jeremy Irons, Sienna Miller e Tom Hiddleston). No próximo ano, a editora Elsinore conta reeditar "Crash", celebrizado no sublime e perturbador filme homónimo de David Cronenberg.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O que diz Tarkovski #23

"Na minha infância a minha mãe sugeriu que eu lesse 'Guerra e Paz' e, durante muitos anos, ela citou frequentemente o romance, chamando-me a atenção para a subtileza e as particularidades da prosa de Tolstoi. Desse modo, 'Guerra e Paz' tornou-se para mim uma espécie de escola de arte, um critério de gosto e profundidade artística. Depois desse livro nunca mais consegui ler porcarias literárias que sempre me causaram profundo desagrado."

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Hitchcock no universo de Kubrick (ou ao contrário)

Retirado do blog Bitaites:

"As personagens que James Stewart desempenhou em três filmes de Hitchcock – «Janela Indiscreta», «O Homem que Sabia Demais» e «A mulher que Viveu Duas Vezes» – são perseguidas por uma trupe de vilões dos filmes de Stanley Kubrick. 
Por outras palavras: esta é uma curta-metragem com James Stewart e Jack Nicholson nos papéis principais. «The Red Drum Getaway» junta dois actores que nunca contracenaram e dois realizadores cujos universos jamais se cruzaram. Foi criado por uma agência francesa de criativos ligada à Publicidade, Gump. 
Vejam-no – se gostam deste tipo de experiências, vão adorar. É mais um tributo às maravilhas do digital e do «mashup». «Mashup», para quem não saiba, designa uma combinação de elementos diferentes e às vezes opostos – em vídeo ou em música – para criar uma obra derivada: os elementos que a constituem são familiares mas os resultados podem ser humorísticos, sarcásticos, críticos ou simplesmente bizarros."
Uma preciosidade criativa para cinéfilos, portanto.

Ver aqui em ecrã grande.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Compositores à volta de uma mesa

Os compositores para cinema Marco Beltrami (The Homesman), Danny Elfman (Big Eyes), John Powell (How To Train Your Dragon 2), Trent Reznor (Gone Girl) e Hans Zimmer (Interstellar) juntaram-se à volta de uma mesa redonda para falarem sobre os processos criativos, os instrumentos utilizados, os métodos de trabalho, a relação com os realizadores, etc.
Uma conversa altamente interessante e pedagógica sobre a relação entre o cinema e a música. Destaque pessoal para Danny Elfman e Trent Reznor, os meus compositores para cinema favoritos desta mesa.
Abrir link aqui.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Demasiado

Cada vez mais me convenço disto: 
- Há demasiada produção cinematográfica para cada vez menos amantes de cinema; 
- Há demasiada edição de livros para tão poucos leitores; 
- Há demasiado pouco tempo livre para conhecer tanta produção musical.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cinema e saúde mental

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental da Escola Superior de Saúde de Viseu, fui convidado a dissertar sobre a relação entre o cinema e a saúde mental. Aceitei o desafio como aceitei, há três anos, dissertar sobre o suicídio e o cinema (ver aqui) num simpósio sobre o tema. O título que escolhi: "A Psique Cinematográfica: A Saúde Mental Representada no Cinema".

Foi um bom desafio que me obrigou a ver (ou rever) uma série de filmes e a investigar literatura especializada. Após elaborar uma pré-selecção de 60 filmes, reduzi a apresentação para 35 títulos que me pareceram absolutamente incontornáveis. Dois critérios essenciais serviram para essa selecção: a qualidade cinematográfica/artística de cada filme escolhido e a relevância temática.

Cheguei à conclusão que os distúrbios mentais mais frequentes abordados pelo cinema são: múltiplas formas de esquizofrenia, paranóia, transtorno obsessivo-compulsivo, comportamentos psicóticos, psicose maníaco-depressiva, transtorno bipolar, transtorno dissociativo de personalidade, etc.

A minha apresentação na Escola Superior de Cinema decorreu no dia 8 deste mês num auditório com 200 lugares lotados com estudantes de saúde mental, professores, enfermeiros, psicólogos e psiquiatras. Mostrei uma apresentação visual na qual constavam o título do filme, o realizador, o ano de produção e uma imagem ilustrativa (como estas duas que ilustram este post: "Shock Corridor" de Samuel Fuller e "Spider" de David Cronenberg). Depois ia dissertando sobre cada filme...
No final apresentei uma bibliografia especializada: cinema como terapia, loucura e cinema, psiquiatria e filmes, etc. Já não houve tempo para debate com a assistência.

Para dar o mote ao início da prelecção citei uma frase de uma personagem do filme “Grand Canyon” (1991) de Lawrence Kasdan: “Se estás com problemas vai ao cinema. Os filmes têm a resposta para todos os problemas da vida.” 

Os filmes foram citados por ordem cronológica.



"O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) – Robert Wiene
“A Page of Madness” (1926) – Teinosuke Kinugasa
“Un Chien Andalou” (1929) – Luis Buñuel
“M - Matou” (1931) – Fritz Lang
“Spellbound” (1945) – Alfred Hitchcock
“The Snake Pit” (1948) – Anatole Litvak
“Él – O Alucinado” (1952) – Luis Buñuel
“As Três Faces de Eva” (1957) – Nunnally Johnson
“Psycho” (1960) – Alfred Hitchcock
“David e Lisa” (1962) – Frank Perry
“Shock Corridor” (1963) – Samuel Fuller
“Fogo Fátuo” (1963) – Louis Malle
“Repulsa” (1965) – Roman Polanski
"Persona" (1966) - Ingmar Bergman
“Uma Mulher Sob Influência” (1974) – John Cassavetes
“Jaime” (1974) – António Reis
“Voando Sobre um Ninho de Cucos” (1976) – Milos Forman
“Eraserhead” (1977) – David Lynch
“The Shining” (1980) – Stanley Kubrick
“Nostalgia” (1983) – Andrei Tarkovsky
“Misery” (1990) – Bob Reiner
“Despertares” (1990) – Penny Marshall
“Garota, Interrompida” (1999) – James Mangold
“Uma Mente Brilhante” (2001) – Ron Howard
“K-Pax” (2001) – Iain Softley
“As Horas” (2002) – Stephen Daldry
“Spider” (2002) – David Cronenberg
“O Aviador” (2004) – Martin Scorsese
“O Maquinsta” (2004) – Brad Anderson
“Loucuras de um Génio” (Doc, 2005) – Jeff Feuerzeig
“Bug” (2006) – Wiliam Friedkin
“Cisne Negro” (2010) – Darren Aronofsky
“Take Shelter” (2011) – Jeff Nichols
“Alive Inside” (Doc, 2013) – Michael Rossato-Bennett
“Pára-me De Repente o Pensamento” (Doc, 2014) – Jorge Pelicano
“Esta é a Minha Casa” (Doc, 2014) – Pedro Renca
“Birdman” (2014) – Alejandro Gonzalez Iñárritu

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

John Ford

Um livro para conhecer a fundo os westerns e os filmes de guerra do grandioso John Ford:

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O soldado Pyle



Foi em 1987 que estreou o filme "Full Metal Jacket" ("Nascido para Matar") de Stanley Kubrick. Curiosamente, vi-o numa sessão da meia-noite, com meia dúzia de espectadores perplexos perante a violência psicológica da primeira metade do filme. Não é o meu Kubrick favorito, apesar de gostar muito dele. Tem uma força e uma progressão narrativa muito peculiares.

A primeira metade do filme, desde a admissão na tropa até ao brutal suicídio do soldado Pyle (impressionante Vincent D'Onofrio), é Kubrick puro, sem concessões, direcção feroz de actores e realização férrea. Lembro-me de me ter ficado na memória, durante muito tempo, esta imagem do soldado Pyle sentado na sanita com olhar demencial (ainda hoje quando me lembro deste filme, é a primeira imagem que me vem à cabeça). O soldado Pyle era um soldado gorducho e pouco apto para a exigência dos treinos militares, constantemente humilhado pelo temível Sargento Hartman. Até que a sua saúde mental se degrada entrando num estado de total loucura e alucinação.

E é essa loucura assustadora que vemos nos olhos de Pyle. Quando olha para o soldado Joker (Matthew Modine) com uma expressão de puro ódio e demência, de quem já não tem medo de nada, nem tem nada a perder. E é aí, nessa sequência de pura tensão na casa de banho (espaço muito do agrado de Kubrick), que Pyle explode, matando o sargento e suicidando-se de seguida. Apesar de não ser um filme de terror, "Full Metal Jacket" encerra, nesta perturbante cena, muito do terror psicológico que o realizador já experimentara no soberbo "The Shining" (1980). E é das sequências de cinema de que mais gosto de toda a obra kubrickiana.

sábado, 3 de outubro de 2015

Bergman - O som e o silêncio

Foi publicado há apenas um mês e só agora o descobri: magnífico e original livro sobre o cinema de Ingmar Bergman e a sua relação com a música, o som, a voz, o ruído e o silêncio. Que eu tenha conhecimento é o primeiro ensaio aprofundado sobre esta temática da estética de Bergman e por certo é uma obra imperdível para os fãs do cineasta sueco.   
Está disponível via Amazon.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Kubik no Porto

Quarta-feira dia 30 de Setembro estarei a tocar com o meu projecto Kubik no Teatro Rivoli no Porto no âmbito do espectáculo de dança/performance "Intermitências#2" do coreógrafo Joclécio Azevedo. Os leitores do blogue do Porto (e norte do país em geral) estão convidados. 
Para ouvir a minha música clicar aqui.

sábado, 26 de setembro de 2015

O olhar ameaçador de Goebbels

Não sei de que ano é a fotografia, mas certamente é anterior ao início da 2ª Guerra Mundial. Nela vemos, sentado, o feroz e temível nazi Joseph Goebbels, braço direito de Adolf Hitler. Goebbels era um fanático anti-semita, odiava de morte os judeus e foi um dos maiores responsáveis (houve outros) pelo Genocídio em massa dos judeus. 
Ora, o que esta fotografia tem de extraordinário é o olhar terrífico de Goebbels. Segundo consta, nesse momento em que estava a ser fotografado foi informado pelo seu colaborador que o fotógrafo era... judeu. Como reacção o dirigente nazi lançou este olhar de profundo desprezo, ameaça e ódio, qual cão raivoso pronto a atacar. No fundo, o seu rosto simboliza a campanha de ódio, terror e morte que os nazis lançaram contra o povo judeu.

A minha única inquietação é saber o que terá acontecido ao fotógrafo judeu após ter tirado esta espantosa - e medonha - fotografia.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Movie Phone Call

E agora um pouco de história do cinema com imagens de telefonemas numa excelente montagem: 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Uma selfie do inferno

Quem nunca tirou uma selfie? Recurso fotográfico perfeitamente banal nos dias de hoje. E já agora, quem acha que não é possível fazer um bom filme de terror em menos de dois minutos? Bom, esta curta metragem prova isso mesmo: em menos de dois minutos, os pêlos do espectador são eriçados com base nesta curtíssima sequência de uma jovem que tira selfies para o namorado. Algo de muito estranho e medonho acontece...
Para um melhor efeito, ver com o volume alto.
 

sábado, 19 de setembro de 2015

Diálogos e bateria

Lembram-se do filme "Uma Questão de Honra" (1992, Bob Reiner) no qual ficou famoso o diálogo final entre Tom Cruise e Jack Nicholson? A frase mais célebre seria a de Nicholson - "You Can't Handle the Truth!". Pois bem, um baterista brasileiro de nome Felipe Continentino resolveu fazer algo muito pouco provável: acompanhar o diálogo com ritmos de jazz. Cada palavra, cada expressão, cada entoação é acompanhada com os pratos e tambores do baterista. 

Simplesmente original e brilhante.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Novo Woody

É um hábito sempre salutar: a cada Setembro, um novo filme de Woody Allen. Estreia "O Homem Irracional", a nova obra do realizador que volta a Nova Iorque para contar esta história de um professor de filosofia de meia idade e com crise existencial dividido entre o amor de duas mulheres.
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Um disco com 30 anos que podia ter sido editado hoje

Um dos melhores discos pop de sempre acaba de cumprir 30 anos: "Seventh Dream of Teenage Heaven" dos Love and Rockets (ex-Bauhaus). Foi em 1985 que foi editado este grandioso disco. Um ano depois comprei o vinil e ouvi-o vezes e vezes sem conta, até captar cada som, cada ritmo, cada melodia. Fiquei viciado durante meses. Tão original que podia ter sido editado hoje sem perder um pingo de originalidade. Todos os temas deste álbum são pérolas musicais, mas este magnífico álbum fechava com absoluta chave de ouro com o tema "Saudade" (sim, em português). Um instrumental de rara beleza e evocação espiritual. 
 O resto do álbum pode escutá-lo no Youtube.

domingo, 13 de setembro de 2015

Wim Wenders fotógrafo

O realizador alemão Wim Wenders é também conhecido por ser fotógrafo. Um fotógrafo que privilegia a exploração das paisagens desertas da América (como no filme "Paris, Texas"). Eis o que o cineasta diz para explicar a sua visão da fotografia:

"I see myself as an interpreter, as a translator, a guardian of stories that places tell me. I think I had wide-open eyes for America, and ‘the American landscape’ in a general sense seemed extremely attractive to me, both as a photographer and filmmaker."





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Trilogias

Há mais trilogias no cinema do que se pensa. Trilogias unidas por uma temática, uma estética, uma ideia narrativa. Eis algumas das mais célebres trilogias da história do cinema:

Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski: Bleu | Blanc | Rouge 

Trilogia da Era Glacial de Michael Haneke: O Sétimo Continente | O Vídeo de Benny | 71 Fragmentos... 

Trilogia Alemã de Hans-Jürgen Syberberg: Ludwig | Karl May | Hitler 

Trilogia do Silêncio de Ingmar Bergman: Através de um Espelho | Luz de Inverno | O Silêncio 

Trilogia da Incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni: A Aventura | A Noite | O Eclipse 

Trilogia da Alemanha Ocidental de Rainer Werner Fassbinder: Maria Braun | Lola | Veronika Voss

Trilogia Gangster de Rainer Werner Fassbinder: O Amor É Mais Frio Que A Morte | O Soldado Americano | Os Deuses da Peste 

Trilogia dos Apartamentos de Roman Polanski: Repulsa | O Bebé de Rosemary | O Inquilino

Trilogia de Hollywood de David Lynch: Estrada Perdida | Mulholland Drive | Inland Empire 

Trilogia da Vida de Pier Paolo Pasolini: Decameron | Os Contos de Canterbury | As Mil e Uma Noites

Trilogia das Fronteiras de Theodoros Angelopoulos: O Passo Suspenso da Cegonha | Um Olhar a Cada Dia | A Eternidade e Um Dia

Trilogia da Vida de Apu de Satyajit Ray: A Canção da Estrada | O Invencível | O Mundo de Apu 

Trilogia do Amor de Andrzej Zulawski: O Importante é Amar | A Mulher Pública | A Revolta do Amor 

Trilogia da Desvirtude de Luis Buñuel: Viridiana | O Anjo Exterminador | Simão do Deserto 

Trilogia Flamenca de Carlos Saura: Bodas de Sangue | Carmen | Amor Bruxo 

Trilogia da Injustiça Social de Pedro Costa: Ossos | No Quarto da Vanda | Juventude em Marcha 

Trilogia da Arte de Alain Resnais: Van Gogh | Gauguin | Guernica 

Trilogia da Memória de Alain Resnais: Hiroshima, Meu Amor | Ano Passado em Marienbad | Muriel ou o Tempo de um Retorno 

Trilogia Dr. Mabuse de Fritz Lang: Dr. Mabuse | O Testamento do Dr. Mabuse | Os Mil Olhos do Dr. Mabuse  

Trilogia da Guerra de Roberto Rossellini: Roma, Cidade Aberta | Paisà | Alemanha, Ano Zero 

Trilogia Qatsi de Godfrey Reggio: Koyaanisqatsi | Powaqqatsi | Naqoyqatsi  

Trilogia do Casamento de John Cassavetes: Faces | Assim Falou o Amor | Uma Mulher Sob Influência 

Trilogia da Depressão de Lars von Trier: Anticristo | Melancolia | Ninfomaníaca: Volume 1 & 2

Trilogia da Morte de Alejandro González Iñárritu: Amores Perros | 21 Gramas | Babel 

Trilogia O Padrinho de Francis Ford Coppola: Parte I | Parte II | Parte III 

Trilogia da Vingança de Chan-wook Park: Mr. Vingança | Oldboy | Lady Vingança 

Trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson: A Sociedade do Anel | As Duas Torres | O Retorno do Rei  

Trilogia dos Dólares de Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares | Por uns Dólares a Mais | Três Homens em Conflito 

Trilogia Regresso ao Futuro de Robert Zemeckis: Parte I | Parte II | Parte III

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Guy Maddin



É considerado o David Lynch canadiano e a comparação, apesar de compreensível, só peca por redundante. O realizador Guy Maddin é muito mais do que o "David Lynch" do Canadá. É também o Eisenstein, o Tim Burton, o Fritz Lang e o Dziga Vertov do Canadá. Tudo somado e espremido dá um cineasta profundamente original que transforma o cinema em qualquer coisa de novo. Mesmo se 90% da sua inspiração e referências estéticas estejam ancoradas no período do cinema... mudo.
Ou seja, Guy Maddin, que deixou o curso de economia para se dedicar à exploração das imagens, assimilou até ao tutano as coordenadas da vanguarda dos anos 20 e 30: o cinema expressionista alemão e o soviético.
Juntando a isto a imaginação visual delirante de Maddin, a provocação surreal de Salvador Dalí e o universo sinistro de Edgar Allan Poe, chegamos a um resultado artístico único.
É nas curtas-metragens que Guy Maddin revela toda a sua arte da manipulação da imagem, numa linguagem estética que bebe do passado mas aponta, claramente, para o futuro. Da sua relativa vasta produção, veja-se apenas esta incrível e multipremiada curta-metragem intitulada "The Heart of the World" do ano 2000.
Um filme mudo (paradoxal nos tempos de hoje fazer filmes mudos!) que em pouco mais de 5 minutos, o realizador homenageia a arte suprema do cinema mudo com uma surrealista história de dois irmãos que amam a mesma mulher responsável pela "saúde do coração do mundo".
O ritmo frenético da montagem, a composição plástica das imagens, o fulgor expressivo dos planos e a fabulosa música do compositor russo Georgy Sviridov, constituem elementos que fazem lembrar os áureos filmes de Eisenstein e Vertov.
Neste "The Heart of the World", em particular, com um acrescento de pitada de Fritz Lang (piscadela de olho à obra-prima "Metropolis"). Uma das mais originais curtas-metragens da última década (sugiro ouvir em volume elevado):

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Arcade Fire em documentário

"The Reflektor Tapes" é um documentário sobre os Arcade Fire, uma das mais interessantes bandas pop-rock dos últimos anos. O filme é realizado por Kahlil Joseph. Vai estrear no final de Setembro nas salas. Uma boa notícia para os fãs da banda. 
Eis o trailer:

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Os Médicos da Morte"

Hoje assinalam-se 76 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Este é um período da história contemporânea que me interessa bastante e há dias comprei um livro (comecei a ler) fascinante que aborda os chamados "Médicos da Morte" do regime nazi. 70 anos após do fim deste terrível acontecimento bélico, este livro é um impressionante documento de 816 páginas consagrado aos horrores da medicina nazi perpetrados durante os 12 anos de vigência do terceiro Reich de Hitler. Do contexto social e ideológico que permitiu corromper em absoluto o papel do médico, aos responsáveis no terreno pelos actos mais hediondos, esta é uma obra baseada em testemunhos de sobreviventes, confissões de médicos SS e em milhares de documentos que os nazis não conseguiram destruir antes da derrota final. 

Milhares de crianças, deficientes, homossexuais, ciganos, judeus e até alemães dissidentes, prisioneiros de uma ideologia que os renegava da própria condição humana, foram alvo de atrozes experiências médicas com o objectivo aniquilar as raças inferiores ou ajudar no esforço de guerra. Foi o apogeu da crueldade do Terceiro Reich, um delírio científico que choca e repugna. E que deve ser lido para nunca ser esquecido. Os médicos nazis tinham rédea solta para fazer as experiências que quisessem nos campos de concentração. Incineraram, castraram, congelaram, sufocaram homens, mulheres e crianças sem misericórdia. Retiravam órgãos e membros, transfundiam sangue de uns para outros em experiências macabras... este livro prova quão monstruoso pode ser o ser humano.

Um projecto de vanguarda



Tal como o nome sugere, "Avant Garde Project" é um projecto de divulgação da música vanguardista do século XX. Por música de vanguarda entende-se todas as formas e expressões estéticas que romperam convenções e inovaram nas linguagens musicais contemporâneas: electro-acústica, experimental, concreta, minimalismo, electrónica, free-style, etc.
A maior parte das gravações disponíveis não têm edições em CD, pelo que as obras musicais foram directamente convertidas de vinil para mp3. Os downloads são gratuitos e ilimitados. O grande contributo de "Avang Garde Project" é que permite conhecer e ter acesso a centenas de raras composições de vanguarda da música erudita contemporânea, de compositores conhecidos como Bruno Maderna, Stockhausen, John Cage, Luciano Berio, Mauricio Kagel, Toru Takemitsu, Harry Partch e muitos outros desconhecidos.
Um verdadeiro tesouro musical a descobrir. Link.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O poder da música

"A música pode livrar-nos da depressão, é um remédio, um tónico, é 'sumo de laranja' para os ouvidos. Para muitos dos meus pacientes neurológicos, a música é ainda mais outra coisa: ela tem o poder que nenhuma medicação tem para o falar, para o movimento, para a vida. Para esses pacientes, a música não é um luxo, é uma necessidade."

Oliver Sacks (1933 - 2015)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O leitor compulsivo

Todos os que gostam de ler e de livros vão adorar este artigo de opinião. É especialmente pensado para os "leitores compulsivos". Em 10 mandamentos, reúnem-se 10 características dos leitores compulsivos. Eu gosto muito de ler, mas não me revi em dois dos mandamentos. Seja como for, para quem ama a leitura há muita verdade neste compêndio de mandamentos. Para ler, abrir aqui.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que diz Tarkovski #22

"O cinema é um mistério. É um mistério para o próprio realizador. O resultado, o filme acabado, deve ser sempre um mistério para o realizador, caso contrário não seria interessante."


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Fnac de Barcelona

É assim a secção de livros de arte (sobretudo cinema e música) na Fnac de Barcelona. E a objectiva da câmara não conseguiu captar a prateleira que falta (clicar na imagem para aumentar).

domingo, 23 de agosto de 2015

Entrevistas a Buñuel e Cave

Em Espanha existe um mercado livreiro muito mais vasto do que em Portugal. Basta visitar uma livraria especializada ou uma FNAC. Em Barcelona entrei na FNAC da Praça Catalunha e fiquei deslumbrado com a quantidade, diversidade e qualidade dos livros editados. A secção de livros de cinema e música ocupam no mínimo dois armários inteiros do chão ao tecto. Muitas edições são estrangeiras, mas muitas outras são de escritores espanhóis sobre os mais diferentes temas. 

Há também muitas traduções de livros editados nos EUA e em Inglaterra. Perante tanta oferta é difícil escolher (até porque os preços também não são propriamente convidativos). No final acabei por comprar estes dois livros, curiosamente de entrevistas a dois ídolos meus: o músico Nick Cave e o realizador Luis Buñuel. São duas edições preciosas porque o leitor é confrontado com as opiniões dos artistas na primeira pessoa. As entrevistas a Buñuel são particularmente interessantes porque o cineasta espanhol explica a sua visão e interpretação dos seus filmes mais importantes. O mesmo faz Nick Cave em relação à sua música (e não só) em 30 anos de "conversas sinistras".

Saí da FNAC espanhola com a clara frustração que deixava dezenas de outros bons livros para trás...
Era assim que deveria ser o mercado livreiro em Portugal.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

GIF de cinema

Se querem conhecer o melhor gif de cinema que já vi, abram este link. Tem a ver com Hitchcock.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sobre "Solaris"

Eis um interessante ensaio em vídeo de 5 minutos sobre "Solaris" (1972) de Andrei Tarkovski. Para compreender melhor a visão artística e filosófica do realizador russo sobre a ciência, a ficção, e a existência humana na Terra. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Star Wars" no cinema mudo

Imaginem como seria a saga "Star Wars" se tivesse sido realizada na mesma época do "Nosferatu" (1922) de F.W. Murnau ou "Metropolis" (1927) de Fritz Lang. Ou seja, em pleno apogeu do cinema mudo.
Seria qualquer coisa como isto:

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O realismo de Gallo

Revi o magnífico filme "Essential Killing" (2011) de Jerzy Skolimowski e voltei a sentir incómodo nesta incrível sequência (real e não encenada): Mohammed (espantoso Vincent Gallo) é um fugitivo esfomeado. De tal forma que, quando se depara com uma mulher com um bebé ao colo, percebe que amamenta e, desesperado, suga à força do peito da mulher o leite materno.
É uma cena que causa grande impacto, mais a mais por se saber que não foi encenada: Vincent Gallo, adepto do mais duro realismo, fez questão de beber mesmo o leite do peito de uma verdadeira mãe que amamentava um bebé.