segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Fanfarra interactiva

É certo que se trata de um divertimento que se esgota em menos de 5 minutos. Mas não deixa, por isso, de valer cada segundo que se perde a experimentar "tocar" esta interactiva fanfarra musical. Basta, para tal, clicar em cada um dos bonecos e apreciar o seu efeito sonoro. Um de cada vez, para escutar o timbre de cada instrumento e, no final, ouvir o efeito musical com todos a tocar simultaneamente.
É como se se tratasse de uma banda sonora de um filme de Kusturica ou de Fellini.
Para aceder e experimentar, abrir aqui.

O que diz Tarkovski #8

"Ivan, o Terrível" de Eisenstein é um filme espantosmante poderoso  e arrebatador na sua composição musical e rítmica. Tudo nele - montagem, mudanças de plano e sincronização - é elaborado com subtileza e disciplina. A caracterização, a composição harmoniosa das imagens e a atmosfera do filme aproximam-se tanto do teatro que ele quase deixa de ser - segundo a minha visão puramente teórica - uma obra cinematográfica."
 

domingo, 29 de setembro de 2013

Trier imita Tarr?

Foi revelado o quarto "movie clip" do novo filme de Lars Von Trier, "Nymphomaniac". É apenas um minuto de um único plano-sequência no qual a câmara segue uma mulher enquanto se ouve a voz off do pai da personagem de Charlotte Gainsbourg.
O que surpreende nestas imagens é que parece que Trier emula a estética do cineasta Béla Tarr: fotografia a preto e branco, ambiente soturno, plano longo sem cortes, são características do cinema do realizador húngaro. O que me leva a especular: será que, da mesma forma que Trier dedicou "Anticristo" a Andrei Tarkovski, também irá dedicar este "Nymphomaniac" a Béla Tarr?...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Lolita

A história de um professor britânico (James Mason) de meia-idade que vai morar para os EUA e aluga um quarto na casa de uma viúva carente, mãe de Lolita, uma linda adolescente por quem ele se apaixona perdidamente à primeira vista.
Basicamente, é este o enredo de "Lolita" (1962), de Stanley Kubrick. Mas tratando-se de Kubrick, claro que o filme é mais do que a sinopse primária inicial. Baseando-se num livro controverso de Vladimir Nabokov, é sobretudo um filme sobre um amor impossível, num jogo de sedução perigoso decorrente de um vulcão de desejo de um homem maduro.

As "famílias" do cinema

Chamem-lhe grupos, gangs, famílias. Tanto faz.
São homens e rapazes unidos por uma forte identidade. Por ideais comuns, códigos de conduta comuns, objectivos comuns. Por vezes a corrupção e a traição destroem esses laços (quase) tribais. São quase sempre movidos por maus instintos, pela ganância, pelo ódio, pela afirmação social, pelo poder, pelo dinheiro ou pela vingança.
A violência e o desrespeito por normas morais e legais fizeram parte da vida (e da morte) destes grupos. E por isso todas estas pandilhas de personagens fascinaram gerações de espectadores e marcaram a história do cinema:
"Cidade de Deus"
"Suburbia"
"Gangs of New York"
"The Long Riders"

"Rumble Fish"

"The Outsiders"

"The Wild Bunch"

"Snatch"

"Clorkwork Orange"

"Oceans's Eleven"
"The Usual Suspects"

"Reservoir Dogs"

"The Untouchables"

"The Godfather"

"The Goodfellas"

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Os puristas do som


Como ouvir música

Para que se seja um bom ouvinte de música, um bom leitor ou um bom cinéfilo, é preciso que haja persistência, tempo e dedicação. No caso da música, por exemplo, é preciso que cada um invista tempo e que arranje métodos para saber ouvir e saber gostar da música nas suas múltiplas manifestações estéticas. Daí que venha a calhar o livro clássico “Music: Ways to Listening” de Elliott Schwartz (edição original de 1982), que ensina várias dicas importantes de como se deve ouvir música para se gostar cada vez mais dela. 
O autor proporciona vários ensinamentos para que cada um de nós possa desenvolver melhor as suas capacidades de percepção, de assimilação e de fruição estética dos sons. 
Memória musical, sensibilidade, vocabulário artístico, tempo disponível, são algumas das áreas que necessitamos desenvolver. 
Eis aqui um apanhado das sete capacidades necessárias para saber ouvir música.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O livro de Bogdanovich

Eis um livro que já conhecia há muitos anos e que acabei de ler há dias. Conhecia este livro porque durante muitos anos ouvi falar da importância desta obra do realizador Peter Bogdanovich. Importância do ponto de vista histórico e cinéfilo, uma vez que se trata de um livro de crónicas do tempo em que o cineasta viveu e começou a trabalhar em Hollywood.
E, na verdade, este livro corresponde às expectativas. Comprei esta edição antiga (1986) numa livraria online a preço de saldo (9€) e não fiquei desiludido. Bogdanovich conta inúmeros episódios curiosos e interessantes sobre os contactos e conhecimentos que travou no final dos anos 60 e princípios dos anos 70: actores e actrizes clássicos famosos, realizadores e argumentistas, etc.
A enorme cultura cinéfila de Bogdanovich (diz que viu 6 mil filmes em Nova Iorque!) ajuda a compreender a forma apaixonada como escreve sobre os filmes, as histórias e as pessoas por detrás dos filmes.
Eis algumas das suas opiniões:

- "Sou contra a censura - e também contra Garganta Funda."
- "Lubitsch fez os melhores musicais de sempre..."
- "Cavalgada Heróica, de John Ford; foi o primeiro Western adulto."
- "A contribuição de Selznick para o cinema americano foi importante... mas não era um artista. Nunca seguiu esse caminho. Capra era e seguiu esse caminho."
- "Paraíso Infernal, de Howard Hawks, dá-nos a maioria dos temas hawksianos de amizade masculina que começou a desenvolver em 1921 e que continuou a explorar posteriormente."
- "Riot in Cell Block 11 é ainda o melhor filme de prisões feito nos E.U."
- "As interpretações de John Wayne são do melhor que há em trabalho de actor."
  

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O novo de Payne

Alexander Payne, realizador dos magníficos filmes "As Confissões de Schmidt" (2002), "Sideways" (2004 )e "Os Descendentes" (2011), volta no final deste ano para estrear a sua nova obra: "Nebraska".
Trata-se de uma comédia dramática no qual pai e filho enveredam numa longa viagem para recolher um prémio de um milhão de euros.
Alexander Payne tem provado ser um singular contador de histórias do cinema contemporâneo, com um olhar muito peculiar sobre o modo de vida da sociedade actual. Personagens à deriva, em dúvida existencial e relações familiares no fio da navalha são elementos fulcrais na sua temática.
O trailer oficial de "Nebraska" foi revelado há dois dias. Filmado num belo preto e branco e com uma banda sonora sugestiva (de Mark Orton), o novo filme de Payne promete marcar o final do ano cinematográfico.
O poster oficial é, igualmente, dos posters visualmente mais originais de 2013.  

 
 
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Não há morte na terra

Vida, Vida

Não acredito em pressentimentos e augúrios
Não me amedrontam.
Não fujo da calúnia
Nem do veneno.
Não há morte na Terra.
Todos são imortais. Tudo é imortal.
Não há por que ter medo da morte aos dezassete
Ou mesmo aos setenta.
Realidade e luz
Existem, mas morte e trevas, não.
Estamos agora todos na praia,
E eu sou um dos que içam as redes
Quando um cardume de imortalidade nelas entra.

Arseni Tarkovski (pai de Andrei Tarkovski) 1907-1989

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O que é um escritor maldito?

Rimbaud, Céline, Bukowski, Marquês de Sade, Henry Miller, Baudelaire, Artaud... Todos estes nomes das letras (prosa e poesia) foram considerados escritores "malditos". Fora do sistema, radicais, provocadores, insubmissos, originais, heterodoxos e rebeldes (na escrita e/ou na vida).
Agora há um livro que explica o que é um escritor maldito:

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ford pragmático

Um dos maiores realizadores de sempre, o irlandês John Ford, sempre se caracterizou por ser um homem pragmático, metódico e trabalhador. Detestava conversa fiada e intelectual. Não gostava muito de jornalistas nem de explicar os seus filmes. Mas quando o fazia, recorria a uma desarmante  e pragmática simplicidade.
 
Exemplo disso são duas respostas que ficaram no imaginário cinéfilo:
 
- Jornalista: "Como filmou a grandeza de Monument Valley?"
- John Ford: "Com uma câmara..."
 
E noutra ocasião:
 
- Jornalista: "Como chegou a Hollywood?"
- John Ford: "De comboio"

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Tati e "Parade"



O realizador Jacques Tati, apesar de ter realizado apenas seis longas-metragens ao longo de várias décadas de carreira, é um dos mais importantes cineastas franceses de sempre (e um dos meus preferidos de sempre).
Tati captou os contrastes do nosso tempo com um olhar meticuloso: a evolução do mundo, desde a vida rural (o carteiro de "Há Festa na Aldeia", 1948) até à cidade moderna e futurista de "Playtime" (1967).
Neste universo de convulsão e tecnologias, quase sempre à beira do caos, aparecia sempre a figura do homem alto e magro, o Sr. Hulot, que encarnava o desconcerto, o inadaptado, o desajustado dos tempos modernos. Tati sempre fez uso de um humor poético e cirúrgico, que só Tati sabia pensar e executar (que herdou dos mestres do burlesco mudo).
Depois do desastre financeiro (mas não artístico) que foi "Playtime", Tati ficou vários anos sem filmar. Até que em 1971 realizou "Traffic", talvez um Tati menor, mas ainda assim um Tati imprescindível (é a velha máxima: um Tati menor é sempre melhor filme do que muitos filmes grandes de outros realizadores).
Em 1974, Jacques Tati foi convidado pela televisão sueca para fazer um filme que se passa integralmente no circo - um espaço que o cineasta francês conhecia bem. O resultado foi o filme "Parade" (a sua última obra em cinema), uma película menos conhecida do mestre francês da comédia. Um filme no qual o riso volta ao estado puro da arte de Tati, numa metamorfose sensível da realidade, na qual o cineasta prescinde do Sr. Hulot: de volta ao circo e à genuína pantomima (quase sem palavras), acompanhado por palhaços, mágicos, músicos, engolidores de espadas, equilibristas e malabaristas, Tati, pela primeira vez, inclui os espectadores na diegese do filme. O tema de "Parade" é o público, a capacidade que este tem de, por intermédio da arte, tornar-se igualmente artista.

sábado, 14 de setembro de 2013

The Avalanches e o "corte e cola"

Conhecem o projecto The Avalanches? Trata-se de um projecto musical electrónico australiano muito interessante que trabalha exclusivamente a partir de samples de discos. Dito de outro modo: o objectivo dos The Avalanches é recriar uma nova música a partir da meticulosa montagem de excertos de músicas e sons (ritmos, melodias, ruídos...) oriundos dos mais variados discos e géneros. Trabalhar com samples já vem de longe, e lançaram em 2000 um discos fenomenal intitulado "Since I Left You".
Para além da construção musical a partir de pedaços sonoros alheios, os The Avalanches praticam também um humor corrosivo muito especial, como se comprova com este divertido videoclip "Frontier Psychiatrist" (talvez a música mais conhecida do grupo).
Agora tentem fazer este exercício simples para perceber como esta música foi construída: vejam e ouçam primeiro o videoclip e de seguida vejam o segundo vídeo que explica a origem dos sons que foram manipulados. Irão perceber de que disco foi retirada a linha de baixo, os coros, o ritmo, os sopros e o resto dos instrumentos.
É um trabalho de reciclagem musical muito meticuloso recorrendo à técnica do "corta e cola" ("cut and paste"), de forma a que todas as peças sonoras díspares consigam um alcançar um sentido musical e estético final coerente e apelativo.
É o caso.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Rancière sobre Béla Tarr

Jacques Rancière é um filósofo e ensaísta francês muito cotado nos meios académicos europeus. O meu interesse neste autor deve-se ao facto de Rancière vocacionar parte do seu pensamento e reflexão para o cinema de autor. 
A editora Orfeu Negro já editou dois interessantes livros deste escritor: "O Espectador Emancipado" (2010) e "O Destino das Imagens" (2011). O filósofo tem também um texto no livro "Cem Mil Cigarros" sobre o cineasta português Pedro Costa. 
A visão de Rancière sobre o cinema é uma visão multidisciplinar e marcada pela análise estética e  filosófica dos signos e simbolismos das imagens de realizadores como Tarkovski, Hitchcock, Bresson ou Oliveira. Explora de igual modo a teoria da comunicação e as artes visuais contemporâneas. 
Já sabia há uns meses que Jacques Rancière tinha editado um livro em França sobre o cinema do húngaro Béla Tarr. 
Na altura enviei um mail à editora Orfeu Negro perguntando se estaria prevista uma tradução portuguesa. Responderam positivamente. Eis, pois, a prova: vai ser lançado no mercado nacional dentro de dias a obra "Béla Tarr: O Tempo do Depois" de Rancière.
A comprar definitivamente. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

11 de Setembro: 12 anos


Passam hoje 12 anos dos ataques do 11 de Setembro e o cinema ainda não produziu assim tantos filmes quanto isso sobre este trágico acontecimento. Mas talvez não seja de admirar: doze anos ainda é um tempo relativamente curto para o devido amadurecimento emocional, um sarar das feridas e para um distanciamento mais objectivo dos factos (não esqueçamos que os grandes filmes sobre a guerra do Vietname só surgiram depois de mais de dez anos sobre o fim do conflito).
Sem contar com os documentários televisivos e de canais temáticos (foram muitos, com o controverso "Loose Change" à cabeça) os filmes que considero mais interessantes feitos sobre os ataques ao World Trade Cebter e ao Pentágono (e todo o seu contexto social e emocional posterior) foram os seguintes - por ordem de preferência pessoal:

1 - "Voo 93" (2006) - Paul Greengrass
2 - "11/09/01 - 11 Perspectivas" (2002) - Vários realizadores
3 - "Fahrenheit 9/11" (2004) - Michael Moore
4 - "A Última Noite" (2002) - Spike Lee
5 - "World Trade Center" (2006) - Oliver Stone
6 - "9/11: The Falling Man" (2006) - Henry Singer
7 - "A Caminho de Guantánamo" (2006) - Michael Winterbottom

Atrás das Cenas #14

"O Touro Enraivecido" (1980) - Martin Scorsese

terça-feira, 10 de setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

9 Imagens para cada filme

Pode um filme resumir-se em 9 'frames' (imagens)? Pode, desde que se conheça bem os filmes para seleccionar as imagens mais indicadas que sintetizem a essência dos mesmos. 
É o que faz o brilhante site "9 Film Frames": apresenta 9 imagens por cada filme. E estão representados filmes para todos os gostos, desde os maiores clássicos aos filmes de todos os géneros e cinematrografias do mundo.
Vale muito a pena descobrir mais aqui.





Vamos conversar?

Uma novidade neste blog: a partir de hoje existe um programa de conversação intitulado "Chatroll". Fica mesmo no início da página do lado direito. 
Com a instalação desta simples ferramenta de comunicação pretendo fomentar a interactividade e a relação com os leitores, os quais estavam limitados aos comentários dos posts ou às mensagens via e-mail. 
Agora a discussão está aberta (em tempo real) e à disposição de todos. Participem!

sábado, 7 de setembro de 2013

Cinema: a discussão do top 10



Para quem ainda não sabe ou para quem quer relembrar, 846 críticos escolhidos pela revista Sight & Sound escolheram há um ano os 10 melhores filmes de sempre. 
Pela primeira vez, o clássico de Welles, "Citizen Kane", foi destronado:

1 - "Vertigo" (Alfred Hitchcock, 1958)
2 - "Citizen Kane" (Orson Welles, 1941)
3 - "Tokyo Story" (Yasujirô Ozu, 1953)
4 - "La Règle du Jeu" (Jean Renoir, 1939)
5 - "Sunrise" (F.W. Murnau, 1927)
6 - "2001: A Space Odyssey" (Stanley Kubrick, 1968)
7 - "The Searchers" (John Ford, 1956)
8 - "Man with a Movie Camera" (Dziga Vertov, 1929)
9 - "The Passion of Joan of Arc" (Carl Theodor Dreyer, 1928)
10 - "8½" (Federico Fellini, 1963)
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Apesar de se tratar de uma lista elaborada por críticos e jornalistas especializados, não deixa por isso de ser uma lista subjectiva e passível de discussão. Isto é, será legítimo perguntar porque é que não consta nenhum filme de Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovski, Charlie Chaplin, Robert Bresson, Jacques Tati, Ingmar Bergman ou tantos outros? Simplesmente porque não "cabem" no top 10 original mas poderiam, perfeitamente, integrá-lo.  

Kurosawa, 15 anos depois

Neste dia 6 de Setembro assinalou-se o 15º aniversário do desaparecimento do grande realizador nipónico Akira Kurosawa. Nunco me esqueço do impacto que tive quando vi no cinema pela primeira vez, aos 16 anos, o espantoso filme "Ran - Os Senhores da Guerra" (1985). Épico feérico, violento e visualmente arrebatador, "Ran" era a súmula da estética cinematográfica de Kurosawa. 
Só mais tarde conheceria os seus clássicos como "Kagemusha", "Dersu Uzala" ou "Yojimbo".
Aqui fica um pequeno tributo ao legado de Kurosawa com uma rápida viagem por alguns dos seus filmes mais emblemáticos:

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O regresso a "Soy Cuba"

Revi o passado fim-de-semana o filme "Soy Cuba" (1964) de Kalatozov e voltei a sentir o mesmo espanto que senti quando o vi pela primeira vez. E confirmei algo que arrisco, sem problemas, dizer: este filme é das obras cinematográficas mais belas e originais de toda a história do cinema (subiu para um lugar cimeiro do meu top 10 de sempre). Só filmes grandiosos como "Touch of Evil" de Orson Welles ou "O Último Ano em Marienbad" de Alain Resnais se equiparam, em termos estéticos e formais, a esta obra do cineasta russo.
Foi necessário um cineasta da dimensão mediática de um Martin Scorsese para tirar do limbo do esquecimento este incrível filme.
Todos quantos amam o cinema e as imagens (e já agora, Cuba, deixando para trás as conotações políticas e propagandísticas que o filme transmite) devem ver esta obra de arte uma vez na vida.
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Eis aqui o que escrevi sobre esta obra ímpar de Kalatozov. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cineastas sem canudo

Recentemente, o realizador William Friedkin disse no festival de Veneza que os jovens não precisam de frequentar escolas de cinema para se tornarem realizadores. É uma verdade. 
O mesmo se aplica a outras áreas artísticas: há muitos bons músicos que nunca aprenderam formalmente música, assim como grandes escritores que nunca frequentaram cursos de literatura ou notáveis artistas plásticos que não cursaram artes. Ser-se autodidacta nas artes sempre foi um fenómeno relativamente vulgar. Claro que frequentar uma escola artística proporciona conhecimentos e bases teóricas, mas o que conta mesmo para singrar na vida artística é o empenho, o trabalho, a vontade, a experiência prática e a criatividade de cada artista descobrir o seu próprio caminho e as suas próprias ideias estéticas. 
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Na área do cinema, por exemplo, há um bom lote de cineastas que não têm qualquer formação académica mas que não deixaram de ter sucesso e reconhecimento artístico (cada um a seu modo) por esse facto: 

- Quentin Tarantino 
- Stanley Kubrick 
- Akira Kurosawa 
- Terry Gilliam 
- James Cameron 
- Christopher Nolan 
- John Waters 
- Julie Taymor

domingo, 1 de setembro de 2013

As opiniões de Pedro Costa

O realizador Pedro Costa deu uma entrevista em Espanha na qual afirma as suas fortes convicções sobre o cinema. Diz que o "maior cineasta de todos os tempos foi Jean Renoir". Ou que "no cinema a paciência e o tempo são fundamentais".
Criticou também o ensino do cinema e a nova geração de realizadores: "Los jóvenes estudiantes saben quién es Serguéi Eisenstein porque vieron una foto de él, pero no sus obras. Me entristece ver directores que reivindican la ignorancia y creen que para hacer una película sólo hay que tener ojos y estar en la calle."