terça-feira, 31 de maio de 2011

"Stalker" com outra música

Volta e meia descubro pequenas preciosidades no YouTube feitas por meros anónimos. É o caso desta sequência inesquecível do filme "Stalker" de Andrei Tarkovski.
A música original do filme do realizador russo foi composta pelo compositor Eduard Artemiev, um dos pioneiros da música electrónica nos anos 70 e habitual colaborador de Tarkovski.
O que um anónimo fez nesta sequência foi retirar a música original e colocar, por cima, uma música que ele próprio (anónimo) compôs. Apesar de ser uma atitude ousada e muito arriscada (heresia para os fãs mais acérrimos do cineasta), a verdade é que a colagem entre esta música de cariz electrónica e ambiental com as belas imagens de "Stalker" resulta muito bem. A música realça todo o misticismo e o carácter onírico do cinema de Tarkosvki.

O fim do clube de vídeo


Creio que hoje entrei, pela última vez, num clube de vídeo. Dificilmente voltarei a este espaço.

Durante muitos anos - ainda do tempo áureo do velhinho formato VHS e quando era impensável haver uma coisa chamada DVD - vi muitos filmes sendo sócio de um clube de vídeo. Numa cidade pequena como a minha, sem salas de cinema que exibissem cinema minimamente condigno, ir ao clube de vídeo era uma forma de poder, na medida do possível, acompanhar as novidades do cinema. Havia muita oferta comercial e sem interesse, mas sempre conseguia alugar aqueles títulos mais independentes e alternativos, filmes de autor, alguns clássicos, com inegável qualidade cinematográfica.

Nos últimos anos, com advento dos canais temáticos por cabo e com a internet, parece que a oferta dos clubes de vídeo entrou em completo e inexorável declínio. Há alguns meses que não entrava no último clube de vídeo existente na minha cidade. Resultado: saí enfadado ao fim de 5 minutos de vistoria à oferta disponível. Com o acesso fácil à internet e aos canais televisivos de cinema por cabo, os clubes de vídeo não tem capacidade de concorrência e de acompanhamento das novidades. Daí que a sua própria sobrevivência esteja praticamente condenada.

Os títulos que vi expostos para o cliente não passam de filmes comerciais que já passaram nas televisões, já se encontram nas bancas dos supermercado a um custo irrisório ou já estão disponíveis há muito na internet. Para quê, pois, gastar 2 euros para alugar um DVD? Das centenas de títulos, apenas vislumbrei dois ou três que seria capaz de alugar, mas este facto não era motivo suficiente para me fazer sócio. Em suma: os clubes de vídeos, tal como os conheci há muitos anos atrás, estão em fase progressiva de decadência até à morte definitiva. Creio que hoje seria já impossível alguém dizer que formou o seu gosto cinéfilo num clube de vídeo moderno - como disse em tempos Quentin Tarantino quando trabalhou, na sua juventude, numa clube de vídeo.

É o resultado da evolução dos tempos que impõem novas formas de consumo cultural e de regras de mercado. Para o bem ou para o mal.

Playtime #57


A solução: "New York, New York" (1977) - Martin Scorsese
Quem descobriu: Álvaro Martins

domingo, 29 de maio de 2011

Dead Can Dance - o regresso!

Um das grandes novidades dos últimos dias no mundo da música é a notícia oficial da reunião dos Dead Can Dance. Ou seja, Lisa Gerrard e Brendan Perry. Ambos vão juntar-se, ao fim de muitos anos separados, para comporem um novo álbum que estará pronto no Verão de 2012. Mais: haverá uma digressão internacional de dois meses até final desse ano.

Se tivesse que escolher uma - e só uma - discografia completa de um músico ou grupo para levar para uma ilha deserta, qual escolheria? Uma discografia que fosse (quase) perfeita do princípio ao fim, de grandeza artística intocável, de dimensão estética inesgotável? Após várias indecisões, escolheria a discografia completa dos Dead Can Dance. Precisamente porque, quanto a mim, a discografia do grupo de Lisa Gerrard e Brendan Perry reúne estes e outros predicados de qualidade. Os seus discos são pérolas de brilhantismo sonoro de prazer ilimitado, capazes de fazer estremecer de comoção os espíritos mais severos. Será despropositado pensar em DCD no contexto de uma ilha deserta? Talvez o seja para quem não goste da música do duo... Considero a discografia dos DCD como isenta de momentos menores, uma discografia coerente e personalizada como poucas.

Ouvi pela primeira vez os Dead Can Dance com o álbum "Spleen and Ideal" (1986) e foi um choque. Na altura ouvia sobretudo música pós-punk, free-jazz e industrial; um dia um amigo gravou-me a cassete com esse disco e disse-me: "Ouve este disco, é diferente de tudo o que já ouviste até agora". Conhecia bem a editora 4AD (Cocteau Twins, Birthday Party, Clan of Xymox, Bauhaus...) mas nunca tinha ouvido DCD. A sonoridade neo-clássica (mas também neo-barroca e neo-renascentista) dos DCD, aliada à voz resplandecente de Lisa Gerrard, trouxe-me uma nova experiência estética e emocional como ouvinte de música. Experiência que se foi aprofundando com todos os restantes álbuns do duo. Na verdade, sempre achei incrível como um músico - Brendan Perry - vindo de uma vulgar banda punk, tinha conseguido transformar-se num compositor com tamanha sensibilidade artística, trabalhando com quartetos de corda e instrumentos de raiz étnica.

Com a notícia, tão ansiada pelos fãs, do regresso dos Dead Can Dance, talvez possamos esperar que o grupo de Lisa e Perry venham a actuar, pela primeira vez, em Portugal.

Kubik - "I Think I Am..."

Depois de "Shina-Kak", eis o segundo videoclip com base num tema do álbum "Psicotic Jazz Hall" (recentemente editado) de Kubik.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lights in a Fat City

O didjeridoo é um instrumento de sopro oriundo das tribos aborígenes australianas.
Tradicionalmente, é um tronco longo de eucalipto ou de bambu oco por acção das térmitas. Tem um som característico e pode variar entre a austeridade tímbrica e a suavidade mística. O didjeridoo está longe de se restringir à música étnica, uma vez que tem sido utilizado (e continua a ser) em muitos grupos de música e géneros musicais ocidentais. Apesar de não parecer, tocar didjeridoo não é fácil e requer treino persistente, sobretudo para o músico conseguir controlar a chamada técnica de "respiração circular", que permite emitir sons de forma contínua (expira-se com a boca e inspira-se pelo nariz ao mesmo tempo).

Foi no já longínquo ano de 1989 que ouvi, pela primeira vez, o som fascinante deste instrumento. Era tocado por um músico ocidental chamado Stephen Kent, que foi o motor criativo de um notável projecto musical denominado Lights in a Fat City, que partia da sonoridade do didjeridoo e o fundia com ritmos tribais e alguma electrónica a condizer. O resultado foi o magnífico álbum "Somewhere", fascinante viagem espiritual pelos ritmos aborígenes hipnóticos à mistura com uma relevante sensibilidade pop.

Lights in a Fat City só editaram um álbum, mas Stephen Kent prosseguiu uma interessantíssima carreira com o grupo Trance Mission e em diversas colaborações com músicos reputados da world-music como Robert Rich, Jon Hassell, Airto Moreira ou Steve Roach. Sempre procurando novas texturas e envolvências para o seu didjeridoo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O realizador - criatura

"O cinema só trata daquilo que existe, não daquilo que poderia existir. Mesmo quando mostra fantasia, o cinema agarra-se a coisas concretas. O realizador não é criador, é criatura"

Manoel de Oliveira

Bob Dylan - uma questão de gosto


Bob Dylan comemorou 70 anos de idade.
A propósito desta efeméride, as rádios e a imprensa escrita têm dado bastante atenção ao autor de "Mr. Tambourine Man". A verdade é que, para mim, Dylan nunca foi um músico de eleição. Reconheço-lhe qualidades como compositor e é indiscutível que o seu lugar na história da música popular está garantido há muitos anos, mas ainda assim, nunca nutri grande admiração por este autor. Talvez pelo timbre da voz e pela forma de cantar tão particular (que para os fãs será interpretado como uma marca original), ou por ter dedicado a sua carreira à folk, género musical que nunca me atraiu por aí além.

A verdade é que, como noutras coisas da arte e da vida, o motivo pela minha renúncia a Dylan reside simplesmente numa questão de gosto: não me fascina a obra de Bob Dylan, naquele sentido em que, inversamente, me fascina a música de um Tom Waits ou de um Leonard Cohen (ressalvando as devidas diferenças, obviamente).

Já da sua escassa incursão pelo cinema gosto muito da actuação de Bob Dylan no grande western de Sam Peckinpah, "Pat Garrett & Billy the Kid" (1973), filme para o qual Dylan escreveu diversas músicas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Criptografia metálica


Os nomes das bandas de heavy metal (e estilos afins - death metal, grindcore, black metal...) são muito originais, sem dúvida. O imaginário da morte, do terror, do sofrimento e do sangue está sempre presente, de forma implícita ou explícita, na designação das bandas. Assim como a forma como são escritos esses nomes, usando um tipo de letra (lettering) a fazer lembrar hieróglifos crípticos impossíveis de decifrar por um mortal leigo na matéria. Este tipo de músicos gosta de praticar uma espécie de caligrafia hermética.

Uma caligrafia... "metálica".

Já chega de "Só Grandes Músicas"!


O semanário Expresso publicava esta semana um interessante artigo sobre os efeitos nem sempre benignos da música em excesso. E da necessidade do nosso cérebro trabalhar em silêncio. Mas na nossa era é praticamente impossível vivermos e trabalharmos sem música de alguma espécie. E os estabelecimentos e locais públicos são grandes responsáveis deste fenómeno. Sobretudo se estiverem a transmitir músicas de certas rádios...
É o caso da inefável RFM, a estação de rádio nacional especializada em divulgar os êxitos comerciais da actualidade, perdão, dos anos 80. A RFM, cujo ambicioso lema é "Só Grandes Músicas".

Entre-se em qualquer loja comercial, repartição pública, consultório, táxi ou café e as estatísticas provam que, se houver uma rádio sintonizada – na senda de querer dar musica ambiente ao cliente – há fortíssimas probabilidades de estar sintonizada na bolorenta RFM ou na esclerosada Rádio Comercial. Não falha. Como, ainda por cima, a cultura dos eighties está na moda, estas duas estações são as “special ones” na vanguardista tarefa de divulgar os hits de antanho do Elton John, do Lloyd Cole, do Phil Collins, do Rod Stewart, dos Waterboys ou bandas afins.

A música dos 90 ou da actualidade, praticamente não existe. Há quem goste de ouvir milhares de vezes as mesmas canções pop-corn de outrora (como em tudo na vida), mas no meu caso, quando entrei há dias numa loja e ouvi o locutor, expedito e expansivo, a anunciar a próxima “grande musica”, quase me deu vontade de ir ouvir antes um discurso político do Sócrates.
Ah, a grande música a que se referia o animador radiofónico era a “Dancer in The Dark” do boss Springsteen. Pois.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Malick divide


Como muitos críticos apontaram, o filme "The Tree of Life" de Terrence Malick ganhou a cobiçada Palma de Ouro do Festival de Cannes. Ao contrário do que seria de esperar, dada a qualidade artística inegável do realizador em causa, o filme não teve uma reacção unânime por parte da crítica: uns acharam uma obra magnífica, de extraordinária dimensão humana e estética; outros, pelo contrário, fizeram um juízo de valor mais negativo, apontando fragilidades no argumento e soluções visuais redundantes.

Julgo que foi bom ter havido esta disparidade de opiniões (na esteira de "Anticristo" de Lars Von Trier, lembram-se?), uma vez que a unanimidade crítica levanta quase sempre desconfiança. Deste modo, o espectador ou cinéfilo fará a sua análise de forma mais despretensiosa e livre. Sem constrangimentos.

E não vamos ter que esperar muito tempo, uma vez que esta última e tão esperada obra de Malick vai estrear já esta semana em Portugal.

A violência segundo Haneke


"O meu cinema é centrado na violência, porque é algo impossível de evitar na sociedade moderna em que vivemos. Gostaria que me considerassem um especialista na representação da violência nos media. A nossa cultura está marcada pelo judaísmo e cristianismo, e isso faz com que tenhamos nas entranhas o sentimento de culpabilidade. Não sou um adepto da culpabilidade, mas a ideia de filmá-la tem sido uma grande obsessão para mim.

"The White Ribbon" é sobre as raízes do mal, sobre a perversão da natureza humana. O meu objectivo foi mostrar como aqueles que definem os princípios – religiosos, políticos ou ideológicos – de maneira absoluta se convertem em verdadeiros monstros, num sistema de educação muito restrito e rígido para as crianças, cujos acontecimentos ocorreram 20 anos antes do surgimento do nazismo."

Michael Haneke

(Na imagem: "Funny Games" - 1997)

domingo, 22 de maio de 2011

Discos que mudam uma vida - 142


Guru - "Jazzmatazz" (1993)
Quando o jazz se encontrou, pela primeira vez, com o hip-hop e a soul.

sábado, 21 de maio de 2011

Amon Tobin - escultor sonoro

É o regresso em grande do músico Amon Tobin, depois do excelente álbum "Foley Room" de 2007. Amon gosta de referir que "ISAM" é mais um trabalho de "escultura sonora" do que propriamente musical. E faz sentido. Depois das incursões geniais na manipulação de samples, do trabalho meticuloso ao nível dos ambientes jazzísticos, dos intricados ritmos e das atmosferas cinematográficas (David Lynch é o seu cineasta preferido), Amon Tobin vira-se, agora, para uma exploração sonora mais pessoal, revelando uma evolução estética verdadeiramente assinalável (Amon deixou de lado a manipulação alheia dos samples e procurou gravar e criar os seus próprios sons).
"ISAM" é, por isso, um complexo manifesto sonoro extremamente rico na estrutura e em pormenores que dão corpo a uma música electrónica original, consumando, assim, uma viragem mais experimental e vanguardista no trabalho habitual de Amon Tobin.
Amon Tobin é um espantoso "cientista dos sons", um pesquisador da matéria sonora mais inaudita, e "ISAM"está aí para provar todo o seu talento criativo e para proporcionar novas descobertas a cada audição do álbum.

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa,

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevistas Póstumas (7) - Leni Riefenstahl



O Homem Que Sabia Demasiado - A sua reputação como cineasta é enorme, apesar de só ter realizado 8 longas-metragens. Como explica este facto?

Leni Riefenstahl - Bom, o meu percurso foi bastante longo, de cerca de sete décadas, mas estive muitos anos sem filmar depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Fiz os meus filmes sobretudo entre 1932 e 1945, depois do fim da Guerra, como sabe, tive imensos problemas para desenvolver os meus projectos.

O Homem Que Sabia Demasiado - A que se deveram, no seu entender, esses problemas?

Leni Riefenstahl - Basicamente, por causa da minha ligação a Adolf Hitler e os dois filmes que fiz para o regime Nazi: "O Triunfo da Vontade" (1934) e "Olympia" (1938). O mundo inteiro acusou-me de colaboradora do regime hitleriano, mas isso não é bem verdade. Apesar do que se diz, não fui eu que ofereci os meus serviços como realizadora a Hitler. Ele é que me convidou depois de ter visto o meu primeiro filme, "A Luz Azul" (1932). Eu ainda declinei, sugerindo que fosse convidado um grande realizador alemão, Walter Ruttman, mas Hitler insistiu que fosse eu e, como estava ansiosa de trabalhar num grande projecto, resolvi aceitar. Como aconteceu a muita gente, eu fiquei fascinada quando ouvi o poder de oratória do Kaiser, e era difícil resistir ao seu incrível magnetismo. Nos anos em que fiz os filmes, desconhecia ainda as atrocidades cometidas contra os Judeus. Pode-ma chamar de ingénua, mas foi isso que aconteceu.

O Homem Que Sabia Demasiado - Acha justo que critiquem os seus filmes pela inevitável propaganda política mas que os elogiem, ao mesmo tempo, pela sua inovadora linguagem estética e formal?

Leni Riefenstahl - Sim, não me importo que as pessoas façam essa análise. Tive muitos meios técnicos ao meu dispor para filmar a convenção Nazi de Nuremberga e por isso inventei novos enquadramentos, novos movimentos de câmara, novas formas de montar as imagens.

O Homem Que Sabia Demasiado - Muitos anos depois, na década de 70, desiste do cinema e torna-se fotógrafa, fazendo reportagens nas tribos do Sudão.

Leni Riefenstahl - Desisti do cinema porque achava que já tinha tido as experiências estéticas que me realizaram. E como senti sempre obstáculos e boicotes para continuar a filmar por causa da minha alegada simpatia com o Nazismo, então experimentei a fotografia, uma outra arte nobre e extremamente gratificante. E com 80 anos descobri outro prazer único: a fotografia submarina! Em 2002, quando fiz 100 anos de idade, realizei um documentário sobre esse fascinante mundo subaquático.

O Homem Que Sabia Demasiado - O seu percurso artístico é indissociável do percurso político do regime Nazi e de Hitler. Há pouco tempo, o estilista John Galliano disse que simpatizava com a figura de Hitler; ontem o realizador Lars Von Trier, referiu que compreendia Hitler e se sentida nazi. A que se deve este fenómeno de "empatia" com uma figura tão terrível da hstória?

Leni Riefenstahl - É difícil explicar, ainda mais para mim, que vivi todos aqueles anos loucos e frenéticos na Alemanha de Hitler. Não creio que Hitler seja citado por ser uma personalidade cruel e responsável por milhões de mortes. Creio que é referenciado porque existe uma total ausência de liderança política na Europa e Hitler, para o bem e para o mal, encarnou um líder carismático, determinado, seguro e com grande poder de fascínio junto das populações. Se houvesse um líder político europeu actual com estas características, mas sem a brutal carga maléfica que lhe é atribuída, talvez as pessoas se esquecessem rapidamente que Hitler existiu.

Playtime #56


A solução: "A Vila" (2004) - M. Night Shyamalan
Quem descobriu: Dom Carlos Coronário

Wire e Battles

Uma das mais inspiradas capas dos últimos tempos na revista Wire para uma das mais criativas bandas do momento: Battles.

(sugiro clicar na imagem para aumentar a visualização)

Lars Von Trier e os "soundbytes"



Sinceramente, vindo de Lars Von Trier, já nada espanta ou choca. Há dois anos, a propósito do filme "Anticristo", disse que se considerava o "melhor realizador do mundo". Pelo meio proferiu várias opiniões controversas sobre política e cinema.

Agora, na conferência de imprensa, também em Cannes, acerca do seu novo filme, "Melancholia", o cineasta resolveu mandar umas piadas (espontâneas ou planeadas?) sobre Hitler e os judeus. Para além do despropósito e do mau gosto inerente a estas afirmações (é ver no vídeo o ar embaraçado da actriz Kirsten Dunst!), ressalta a conclusão de que Lars é um especialista em lançar "soundbytes" que têm, unicamente como fim, gerar publicidade gratuita à sua volta.

Parece um menino mimado que chega a uma festa de anos na qual é ignorado e, para se afirmar e chamar a atenção, resolve fazer ou dizer disparates. Lars Von Trier é um realizador que divide paixões no meio cinéfilo: há quem admire a sua dimensão estética, há quem o abomine pela ausência de ética. Uma coisa é certa: Lars arranja sempre motivos para falarem dele.

Deve seguir a máxima do pintor surrealista Salvador Dalí: "O que eu quero é que falem de mim. Nem que seja para dizer bem".

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ian Curtis inédito

"I can feel an emptiness and see heads held in shame, trapped inside a legacy of everyone to blame.
In the distance see myself just washed up on the shore, a picture in my mind of what will come before the storm."

Poema inédito de Ian Curtis. Para ler o restante, aqui.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa #22

Kubik - novo disco

O meu projecto musical pessoal, Kubik, apresentou, em concerto no passado Sábado (14 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda), o novo álbum - "Psicotic Jazz Hall". A edição tem selo do TMG e pode ser encomendado através deste link. Brevemente estará também disponível nas lojas habituais.

"O percurso musical de Victor Afonso, nos seus quase vinte anos de longevidade, é uma das histórias de maior criatividade e diversidade da que a música portuguesa moderna teve o prazer de conhecer. Das compilações aos discos de originais, da memorável banda sonora original Guarda: A Memória das Coisas às apresentações ao vivo e aos filmes mudos com música original, Victor Afonso foi construindo um corpo de trabalho sem cedências artísticas de qualquer espécie, vanguardista e fusionista no melhor significado possível da palavra. Um trabalho que parte da música electrónica para se abeirar do noise, do jazz, da world music, da pop mais permeável e de tudo o mais que se atravesse no caminho; fluentemente experimental, amigo do sampling, aberto ao mundo.

O seu novo disco (e neste caso “novo” adquire todo um novo contexto), Psicotic Jazz Hall, que fecha a trilogia de álbuns começada por Oblique Musique (2001) e continuada por Metamorphosia (2005), é, quando julgávamos já impossível ir mais além, um constante abrir da palete sonora para deleite dos melómanos mais exigentes. Não é à toa que Mike Patton, mestre do baralha e volta a dar, viu em Victor Afonso um talento que transborda fronteiras. Está nos genes de Victor Afonso reinventar-se a cada vez que mostra novo trabalho. E Psicotic Jazz Hall não é excepção. Os treze temas que compõem este novo disco revelam uma complexidade que não é novidade, um cuidado com os pormenores que é apanágio de Kubik. E sempre que o imenso turbilhão de ideias e recursos encontra um aparente beco sem saída, Victor Afonso descobre uma forma de escapar em classe e em estilo.

O jazz é a matriz principal deste trabalho mas a fragmentação habitual leva esta viagem para outras esferas: que o groove de “Shina-Kak” desapareça já se isto é mentira. Como se Victor Afonso pegasse em toda a boa música do mundo, a desfizesse em estilhaços e depois, subversivamente, a voltasse a reconstruir: é assim que soa Psicotic Jazz Hall, um disco cujo título remete para o título de um álbum do francês Pascal Comelade que, como Victor Afonso, se serve de uma certa bizarria a seu bel-prazer. Da Guarda para o mundo, Victor Afonso volta a assinar um disco com atributos visíveis a partir de outros planetas mas para ser consumido com toda a humanidade."

André Gomes (Editor do Bodyspace, in BIS/TMG - Abril - Junho 2011)


Mais informação, músicas e vídeos em Kubik Music

Cannes e o Facebook


Na velocidade e na massificação da informação cibernética actual, causa-me muita estranheza o facto da página oficial do Festival de Cannes no Facebook ter, apenas, 7.500 seguidores. É um número perfeitamente irrisório no contexto da internet à escala global.

Isto quando sabemos que abundam, no Facebook, páginas e páginas de "personalidades" que têm largas dezenas (ou centenas) de milhar de seguidores. Será de acreditar que haja, no universo dos 500 milhões de utilizadores do Facebook, somente sete mil e quinhentos que "gostem" do mais concorrido (e, porventura, melhor) Festival de Cinema do mundo? Por andam os cinéfilos do mundo virtual do Facebook?

domingo, 15 de maio de 2011

O jornal pela manhã

"Eu fico deprimido quando leio o jornal pela manhã. Há uns anos, ao falar com Ingmar Bergman, disse-me que nunca lia o jornal logo de manhã porque isso arruinava-lhe o resto do dia inteiro. E realmente, quando te levantas de manhã e lês todas aquelas histórias terríveis, uma atrás da outra... Tu tens que estar nalgum sítio em meia hora, os teus filhos berram e tens que os levar à escola, quando depois de ler o que leste o teu corpo te pede para apanhar o primeiro avião para o Darfur no intuito de mudar alguma coisa. Por isso fico deprimido e aborrecido o dia todo."

Woody Allen (que, por certo, não deve ler os jornais portugueses logo pela manhã, caso contrário, a sua depressão lavá-lo-ia ao suicídio).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Woody Allen em Paris

Segundo rezam as crónicas vindas de Cannes, o novo filme de Woody Allen, "Midnight in Paris" é um regresso à boa forma a que nos habituou o realizador nova-iorquino nos seus anos de maior criatividade e inspiração. Ora, esta é uma óptima notícia para todos os admiradores de Woody, uma vez que os seus últimos 4 ou 5 filmes não passaram de medianas e até desequilibradas (nalguns títulos) comédias existencialistas sem grandes laivos de originalidade.

Segundo li, o argumento desta nova incursão de Woody Allen pela Europa (a eterna romântica Paris), revela-se um prodígio de soluções que fogem aos lugares-comuns habituais nas comédias passadas na capital francesa. O elenco está em bom nível, a realização idem, e a música (como se pode ouvir no trailer) é, como sempre, de superior bom gosto.

Como vivi os meus primeiros sete anos de vida em Paris e enquanto fã de Woody Allen, só posso ansiar por ver "Midnight in Paris".

Discos que mudam uma vida - 141


New Order - "Power, Corruption & Lies" (1983)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A viagem sonhada a Cannes



Hoje tem início a 64ª edição do Festival de Cinema de Cannes. O mais competitivo, mediático e afamado festival de cinema do mundo.

Existem os prestigiados festivais de Veneza, Berlim, Sundance, mas nenhum se compara, em importância e glamour, ao de Cannes. E não há realizador no mundo, novato ou veterano, que não gostasse de ter os seus filmes a concurso neste festival ou, claro, ganhar a Palma de Ouro. Claro que Cannes é, também um mundo inesgotável de negócio (que o diga Paulo Branco) e de comércio, mas isso faz parte da essência de qualquer festival. Há também frivolidades andantes, figuras públicas e estrelas de pacotilha que se pavoneiam pela carpete vermelha para verem e serem vistas. No entanto, o cerne de Cannes sempre foi e será o cinema, os filmes, os artistas. Isso é que fica para a posteridade.

Poucos serão os cinéfilos que não gostariam de poder assistir ao festival. Sentir o frémito e as emoções resultante do visionamento dos grandes filmes a concurso, partilhar os aplausos ou os apupos aos filmes, assistir às concorridas conferências de imprensa com realizadores e actores, sentir o ritmo frenético da exibição dos filmes em catadupa, as várias secções competitivas, a entrega dos prémios, etc.

Foi o que tentei fazer um dia: ir a Cannes - através de um concurso nacional. Corria o ano de 1990 e o concurso, designado, "Sê um Crítico de Cinema e Vai a Cannes!" (cito de memória) era dinamizado pelo Instituto Português da Juventude. A coisa funcionava de forma muito simples: qualquer jovem com menos de 25 anos podia participar; bastava ver um filme que na altura estivesse em cartaz e escrever uma crítica ao mesmo segundo algumas regras pré-estabelecidas. Os autores das 20 melhores críticas nacionais eram seleccionados para irem a Lisboa verem outro filme, outra crítica e, a melhor considerada pelo júri, tinha como prémio uma viagem ao festival de Cannes durante dois dias (ou três, já não me recordo) com todas as despesas pagas (tempos áureos, hoje já não existem estes prémios chorudos!).

Fui seleccionado, a nivel nacional, para a lista dos 20 participantes de Lisboa com a crítica ao filme "Presumível Inocente" (1990) de Alan J. Pakula (com Harrison Ford), um interessante thriller que marcou aquele ano de cinema. Lá fui a Lisboa para a competição final, sempre com Cannes em vista. Cheguei numa sexta-feira. Logo nessa noite, eu os restantes concorrentes decidimos assistir a uma sessão num sítio óbvio, a Cinemateca. Recordo-me que vimos um clássico mediano do Raoul Walsh. O grupo de concorrentes era constituído por jovens estudantes de todo o país, e a única coisa em comum entre todos era a paixão pelo cinema. No sábado seguinte, logo de manhã, eu os outros 19 participantes, fomos visionar o filme para a crítica final que iria decidir quem iria a Cannes. Era um filme tão medíocre e comercial que já nem me lembro que objecto era aquele. As críticas foram entregues ao júri que deliberou no dia seguinte. Quem ficou em primeiro lugar foi um jovem de Lisboa que ganhara o privilégio de conhecer Cannes. Eu fiquei em 5º ou 6º lugar e tive direito a um prémio de consolação: um bilhete para assistir ao Estoril Open! Como não gosto de ténis, despachei logo o dito cujo para outra pessoa interessada. Ir ao Estoril Open em vez de ir a Cannes era consolação para quem quer que fosse?

Foi a única vez que estive perto de ir a Cannes, por intermédio de um concurso juvenil, imagine-se. Talvez um dia programe umas férias em Maio na Côte d'Azur para servir de pretexto para conhecer o festival. Talvez.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Entrevista Póstuma (6) - João César Monteiro


O Homem Que Sabia Demasiado - O João César Monteiro divide fortemente opiniões: há quem o adore mas há também que o despreze. Como lida com estas visões extremadas?

João César Monteiro - Quem não gosta de mim é um filho da puta!

O Homem Que Sabia Demasiado - Hum... Sempre foi um cineasta com uma sensibilidade muito satírica e propícia a polémicas que...

João César Monteiro - Não me vai falar do caso "Branca de Neve", pois não?

O Homem Que Sabia Demasiado - Por acaso até ia porque gostava de saber...

João César Monteiro - Então vocês também é um filho da puta! Não me chateie com essas imbecilidades! A entrevista acaba aqui. Adeus.

O Homem Que Sabia Demasiado - Mas...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dissidenten em Sines

Uma das bandas mais esperadas no cartaz do próximo Festival Músicas do Mundo de Sines são os Dissidenten (tocam no dia 29 de Julho).

Alguém me gravou um disco desta banda numa cassete áudio pelos meados dos anos 80. Das várias centenas de cassetes que acumulei durante essa década, confesso que a cassete com o viciante disco "Sahara Electrik" dos Dissidenten foi das que mais rodou na aparelhagem (ao ponto da fita se ter estragado). À altura, era para mim um disco com uma sonoridade totalmente nova e estimulante, em que sons do Médio Oriente e da Ásia se misturavam com ritmos electrónicos, com o funk e o rock, na esteira do seminal álbum "My Life in the Bush of Ghosts" (editado dois anos antes) de David Byrne e Brian Eno.

Os Dissidenten são um colectivo alemão que criou alguns álbuns essenciais para a evolução da estética "fusionista" entre a world-music e a sensibilidade puramente pop (que viria a desenvolver-se posteriormente com outros grupos). De resto, o tema "Fata Morgana" dos Dissidenten foi um dos temas mais populares nas pistas de dança alternativas da primeira metade dos 80 em países como Espanha, Itália, Alemanha e Canadá.

"Sahara Electrik" é um disco de pura energia e encantamento melódico e rítmico, concebido por um grupo de alemães fascinados pela tradição musical de Marrocos, Argélia e Índia (também colaboraram com alguns músicos destes países).

Para quem quiser conhecer ou recuperar este disco dos Dissidenten, basta carregar neste link e o disco estará pronto a ser degustado em todo o seu esplendor!

Ouça-se "Fata Morgana"!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Filmar as pinceladas de Picasso


"Le Mystère Picasso" (1956) é um dos mais inspirados e belos documentários sobre arte que conheço. Filmado pelo conceituado cineasta francês Henri-Georges Clouzot, este filme mantém, ainda hoje, uma frescura e uma originalidade invulgares. Clouzot filma, de forma insuperável, o genial Pablo Picasso em continuadas sessões de pintura. O espectador apercebe-se facilmente quão excepcional é a veia criativa do pintor espanhol, quão espontânea e perfeita. O método pictórico de Picasso é captado pela câmara de Clouzot como um olhar distanciado, mas ao mesmo tempo minucioso, na captura da leveza do traço, das cores e dos movimentos.

"O Mistério Picasso" é, basicamente, um filme sobre a imponência perene da criação artística. Mais a mais, sendo o objecto do filme a figura ímpar de Picasso. E é, igualmente, uma notável obra de cinema (Clouzot criou técnicas inovadoras para captar as pinceladas do pintor).

Pode ser visto na íntegra aqui.

Genealogia de Fotogramas #7








domingo, 8 de maio de 2011

Recriar "Eduardo Mãos de Tesoura"


Há pouco mais de 20 anos, Tim Burton criava "Eduardo Mãos de Tesoura".

Uma inesquecível e emocionante história sobre um amor impossível pintado com pormenores inauditos: uma criatura bizarra com tesouras em vez de mãos e uma adolescente inadaptada num cenário urbano idilicamente americano. Um confronto entre dois mundos: o do inventor no castelo sombrio e o dos subúrbios com as casas multicoloridas.

Tim Burton construiu um dos seus universos visuais mais espantosos; Johnny Depp foi perfeito num dos personagens mais fascinantes do imaginário cinematográfico de sempre; Danny Elfman teve, porventura, o seu momento de maior inspiração na composição musical; Winona Ryder nunca mais foi tão pura e cativante como neste filme.

20 depois do mundo conhecer "Eduardo Mãos de Tesoura", a galeria californiana Nucleus lançou um desafio aos artistas gráficos e ilustradores de todo o mundo: recriar a iconografia estética herdada do filme de Burton. Para tal, criou um blogue próprio no qual se podem apreciar essas recriações.


Lido aqui.

sábado, 7 de maio de 2011

Clássicos do Cinema em BD para Pessoas com Pressa #21

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Televisão culturista

No programa televisivo "Quem Quer Ser Milionário", o concorrente é confrontado com a seguinte pergunta:

- "Qual dos seguintes músicos representa a música minimalista?"

Possibilidades de resposta:

a) W.A. Mozart

b) Stevie Wonder

c) Mick Jagger

d) Steve Reich

Resposta do concorrente com toda a convicção: "Mozart".

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O misterioso Joe Gould


Reli passagens deste livro de culto e reforcei a opinião de que o bom jornalismo consegue, por vezes, almejar ao estatuto de boa literatura.

Sobre este livro, "O Segredo de Joe Gould" (Dom Quixote, 2001), de Joseph Mitchell, disse António Lobo Antunes: "em poucas ocasiões me ri tanto e admirei tanto: li-o três vezes seguidas num pasmo crescente, num júbilo sempre renovado, e a cada leitura descobri um livro diverso, surpreendente, magistral. R.L.Stevenson garantia que se uma obra não tinha encanto não tinha nada. Esta tem-no para dar e vender."

E atente-se no que refere a escritora Doris Lessing, vencedora do Prémio Nobel da Literatura: "É um livro único. Não conheço nada que se lhe compare." Sobre os elogios a esta obra ainda poderíamos citar Salman Rushdie, Ian McEwan ou Martin Amis.

Mas quem é, afinal, Joseph Mitchell (na imagem) para receber tamanhos e incondicionais louvores críticos? Foi um dos mais importantes jornalistas americanos de sempre. Escreveu para a icónica revista "The New Yorker" nos anos 50. Mitchell percorria as ruas de Nova Iorque à procura de histórias bizarras, sendo um meticuloso observador da realidade (antecipando um outro notável jornalista literário - Truman Capote).

A sua escrita é refinada, atenta ao pormenor e repleta de ironia e humor (a que se refere Lobo Antunes). É uma obra de um só fôlego, imbuída de momentos de supremo gozo literário.


O livro "O Segredo de Joe Gould" contém dois perfis que o jornalista escreveu sobre Joe Gould, um vagabundo que largou tudo (inclusive a família e estudos académicos em Harvard) para escrever "Uma história Oral do Nosso Tempo”. Um suposto e monumental livro, onze vezes maior que a bíblia, onde estaria reunido todo tipo de histórias e conversas que Gould ouvira na vida (recolhendo milhares de diálogos, discussões de rua, bares decadentes de Manhattan, etc). Joe Gould acreditava que, no futuro, essa sua obra seria de grande importância para o estudo histórico de sua época. Tinha como amigos vários escritores, editores, jornalistas e poetas como Ezra Pound ou E.E. Cummings.

Gould morreu em 1957 e o livro que foi escrito nunca foi encontrado - não se sabia mesmo se chegara de facto a existir. Mas a lenda dizia que existia, aumentando a reputação e o fascínio à volta do vagabundo Gould. Em 1964, sete anos após a morte de Gould e mais de vinte anos após o perfil da "The New Yorker", Joseph Mitchell escreveu para a mesma revista outro texto sobre o boémio nova-iorquino - "O Segredo de Joe Gould" -, revelando o mistério guardado por tanto tempo (texto que viria a dar neste livro). Depois dessa reportagem histórica, o jornalista nunca mais publicou sequer um texto. Morreu de cancro em 1996.

"O Segredo de Joe Gould" foi adaptado em 2000para o cinema por Stanley Tucci, num filme com Ian Holm, Steve Martin e Susan Sarandon. Como nunca tive oportunidade de o ver, não sei se o filme está à altura da grandeza e originalidade da obra literária.


Nota: apesar da primeira edição contar já 10 anos, ainda é possível encontrar novas edições do livro nas livrarias. Por um preço que ronda os 11€.